Gaita-de-fole

A gaita-de-fole portuguesa pertence à família de gaitas que ocorrem na Europa ocidental e central incluindo as ilhas britânicas. Tal como o famoso instrumento escocês, a gaita-de-fole usa dois tipos de palhetas: palheta simples (tipo clarinete) e palheta dupla (tipo oboé). A palheta simples é colocada no tubo mais comprido (ronca) de fura cilíndrica e produz apenas uma nota grave (pedal). O tubo melódico (ponteiro) tem fura cónica e está equipado com uma palheta dupla. Estas palhetas são tradicionalmente feitas de cana (Arundo donax) mas podem ser também concebidas a partir de sabugueiro, bambu ou plástico. O fole é normalmente um odre de pele de cabra ou carneiro.

Em Portugal existem algumas versões da gaita. Nas regiões mais remotas de Trás-os-Montes estes instrumentos feitos à mão por tocadores locais, muitos dos quais pastores, não apresentam sempre as mesmas características. A afinação também varia, mas é normalmente do tipo modal, ligeiramente menor na região grave e quase maior na aguda. Os mesmos modos são encontrados na tradição oral da região. Nas áreas da costa ocidental, do Minho até Lisboa, as gaitas tendem a ser importadas da Galiza ou construídas localmente, mas sempre com afinações diatónicas.

A gaita de pequenas dimensões com que toco a peça jota é composta de um tubo melódio e uma ronca curta, ambos de bambu e com palhetas simples. O seu som assemelha-se ao instrumento dos encantadores de serpentes.